A incessante procura por um conjunto de parâmetros que se constitua em um denominador comum a ser oferecido e cobrado ao conjunto da humanidade não é preocupação recente. Publicado há 1.800 anos antes de Cristo, o Código de Hamurabi, ainda hoje, poderia integrar as cartas de princípios ou as legislações de proteção dos seres humanos que habitaram e habitam o planeta. A afirmação histórica dos Direitos Humanos é, portanto, uma inquietação que se confunde com a passagem do homem e da mulher pela Terra.


É de central relevância compreender que a construção histórica dos Direitos Humanos confunde-se com algum dos principais acontecimentos dos últimos 25 séculos. No entanto, somente há pouco mais de 50 anos foi possível um certo consenso, entre algumas nações, criando um elenco de direitos aplicáveis a todos e a todas. Assim surge a Declaração Universal dos Direitos Humanos, de 1948, com apenas 30 artigos, é tributária de inúmeros tentativas de compreender o que, afinal, caracteriza o homem e a mulher.


Não poderia ser de outra forma. O que se busca afinal, conforme já mencionado, é o apontamento de um bloco de parâmetros que possam ser compreendidos como um denominador comum daquilo que somos como coletividade. Qual o anseio objetivo para o presente momento? Banir os preconceitos e reducionismos sempre presentes, o pessimismo desinformado e, também, o otimismo interessado. Parece ser razoável acreditar que tudo converge para o consenso de que precisamos dar amplitude ao debate até chegarmos à compreensão de que os Direitos Humanos vão muito além das relações com a violência em geral e com a criminalidade em particular.


Na busca do entendimento e da aplicabilidade dos Direitos Humanos, como esteio e segurança da Humanidade, não podemos esquecer a relevância do papel da mídia que, cada vez mais, deve assumir a responsabilidade estratégica. Valendo-se do instrumental que os jornalistas, radialistas e publicitários têm a sua disposição – a imagem, o texto, o áudio, e a investigação – a mídia pode contribuir para uma pauta propositiva, um agendamento contextualizado do debate público.


Acreditamos ser importante não esquecer que, desde os primórdios da imprensa, algumas tarefas foram entendidas como a essência de seu papel nas sociedades.  Como a vigilância das ações dos poderes estatais, especialmente no que tange ao cumprimento dos princípios constitucionais e na implementação das chamadas políticas públicas. Esses cuidados têm sido uma das mais antigas atividades jornalísticas.


Os jornalistas, de forma generalizada, não se interessam por uma análise mais amplamente contextualizada. Grande parte se contenta com  a face meramente policial. Persiste no rádio e na televisão a visão enviesada de que as instituições de defesa dos Direitos Humanos só se preocupam com esse lado quando as vítimas são bandidos. Vale considerar que a liberdade dos profissionais para atuar, até mesmo no terreno da informação, é, via de regra, anulada pela direção do meio de comunicação. Não podemos obscurecer que as empresas jornalísticas de rádio e televisão, acho que ninguém discorda, são predominantemente controladas por empresários ou políticos conservadores.

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