“Totalmente curado do câncer”. Com esse resultado de seu último laudo, Paulo Peregrino, 61 anos, teve alta hospitalar no último domingo no Hospital das Clínicas de São Paulo. Ele lutava contra o câncer há 13 anos e estava prestes a receber cuidados paliativos, aqueles em que o paciente recebe medicamentos para sofrer menos, quando não há mais chance de cura. Entretanto, em abril, Paulo foi submetido a um tratamento e, depois de apenas um mês, não havia mais sinais do tumor no organismo dele.
Paulo é um dos 14 pacientes brasileiros submetidos um tratamento inovador, realizado pela Universidade de São Paulo (USP), em parceria com o Instituto Butantã. Trata-se da terapia celular CAR-T Cell, que utiliza células do sistema imunológico do paciente, responsáveis por combater células infectadas.

Sobre o tratamento

No tratamento, as células de defesa são retiradas do organismo, ativadas e depois reinseridas no paciente, onde voltam com mais força para eliminar as células do tumor. O processo todo dura em torno de 60 dias.

Por enquanto, esse método obteve bons resultados, mas ainda não é utilizado para todos os tipos de cânceres. O coordenador do Centro de Terapia Celular da USP, Dimas Covas, comenta. O próximo passo é a criação de duas unidades de terapia celular: uma em Ribeirão Preto e outra em São Paulo – e assim, conseguir atender até 300 pacientes por ano. Fora do Brasil, o tratamento custa cerca de R$ 1 milhão por paciente, cerca de R$ 5 milhões.

Paulo Peregrino (à direita) durante conversa com seu médico (Arquivo pessoal).

O tratamento de Paulo Peregrino e os outros pacientes brasileiros foi possível com recursos da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

O tratamento Car-T Cell surgiu nos Estados Unidos, em 2010, e é aplicado experimentalmente em pacientes de câncer terminal. Com os resultados positivos, a FDA, agência regulatória norte-americana, aprovou a terapia em 2017. No ano seguinte, os descobridores James P. Allison e Tasuku Honjo receberam o prêmio Nobel de Medicina.

Fonte: Agência Brasil de Notícias

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