
Família, escola, amigos e sociedade têm papel importante na identificação de sinais de sofrimento emocional e no incentivo à busca por ajuda profissional
O Setembro Amarelo amplia, durante o mês de setembro, o debate sobre saúde mental e valorização da vida no Brasil. A campanha chama atenção para a importância da prevenção, do acolhimento e do acesso ao acompanhamento profissional, especialmente diante de quadros como ansiedade e depressão.
Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam o Brasil como o país com maior prevalência de ansiedade no mundo, com cerca de 18,6% da população convivendo com transtornos de ansiedade. Já estimativas do Ministério da Saúde indicam que a depressão atinge aproximadamente 15,5% dos brasileiros ao longo da vida.
Apesar da maior presença do tema nas campanhas de conscientização, o preconceito e a falta de informação ainda podem dificultar a identificação do sofrimento emocional e a procura por atendimento especializado. Por isso, especialistas defendem que o cuidado com a saúde mental precisa fazer parte da rotina e contar com uma rede de apoio próxima.
Saúde mental é responsabilidade coletiva
Para Sarah Rebeca Barreto, psicóloga, neuropsicóloga e educadora parental, o cuidado com a saúde mental não deve ficar limitado ao consultório. A família, a escola, os amigos e os ambientes de trabalho também podem contribuir para a identificação de mudanças no comportamento e para a criação de espaços de acolhimento.

“O cuidado com a saúde mental é uma tarefa coletiva. A responsabilidade não cabe apenas ao indivíduo que está atravessando um momento difícil, mas envolve ativamente a família, as escolas, os amigos, os ambientes de trabalho e toda a rede ao seu redor. Muitas vezes, quem está em sofrimento não consegue vocalizar suas necessidades de forma direta. Cabe a nós, como sociedade, desenvolver um olhar atento e uma escuta empática para perceber sinais como mudanças repentinas de comportamento, isolamento e perda de interesse pelas atividades do dia a dia”, ressalta.
A especialista também chama atenção para a importância da atuação conjunta da família e da escola durante a infância e a adolescência. Segundo ela, esses espaços podem ajudar crianças e jovens a compreender e expressar as próprias emoções.
“Nas escolas e nos lares, precisamos construir espaços seguros onde as emoções possam ser nomeadas e acolhidas sem julgamentos. Educar parentalmente e emocionalmente significa ensinar nossas crianças e adolescentes que sentir frustração, medo e vulnerabilidade faz parte da vida, mas que eles nunca estarão sozinhos para enfrentar esses sentimentos. A valorização da vida começa na convivência diária, na validação do outro e no fim do tabu sobre procurar ajuda profissional”, pontua.
Atenção aos sinais no cotidiano
O cuidado com a saúde mental também passa pela observação de mudanças persistentes no comportamento. Isolamento social, alterações bruscas de humor e perda de interesse por atividades que antes despertavam satisfação podem indicar que uma pessoa está enfrentando algum tipo de sofrimento emocional.
Nessas situações, a escuta é uma das principais formas de oferecer apoio. Evitar julgamentos, não minimizar a dor e criar espaço para uma conversa aberta são atitudes que podem contribuir para que a pessoa se sinta acolhida.
A educação emocional também tem papel importante nesse processo. No ambiente familiar e nas escolas, crianças e adolescentes podem ser estimulados a reconhecer, nomear e expressar sentimentos, desenvolvendo recursos para lidar com frustrações, medos e momentos de vulnerabilidade.
Outro ponto destacado pela especialista é a necessidade de reduzir o estigma relacionado ao acompanhamento psicológico e psiquiátrico. A busca por ajuda profissional diante de dificuldades persistentes deve ser compreendida como uma atitude de cuidado e responsabilidade com a própria saúde.
Durante o Setembro Amarelo, a proposta é ampliar essa conversa e lembrar que a valorização da vida não depende apenas de ações realizadas no mês de setembro. O acolhimento, a escuta e a atenção à saúde mental precisam fazer parte das relações cotidianas e de uma rede de cuidado construída de forma contínua.







