
Projeto desenvolvido por alunas da PUCPR utiliza composto natural obtido do reaproveitamento de resíduos e busca reduzir os impactos ambientais causados pelo fogo
Em um cenário marcado pelo aumento dos incêndios florestais no Brasil e no mundo, uma iniciativa desenvolvida por duas estudantes brasileiras surge como uma boa notícia para a preservação ambiental. As acadêmicas Mariah Fraulo Cavalcante e Taciane Beatriz Ferreira, do curso de Biotecnologia da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), criaram o BIODEFENSER®, um retardante de chamas de origem natural que alia inovação, sustentabilidade e recuperação ambiental.
A tecnologia nasceu a partir do reaproveitamento de resíduos de uma espécie que, quando presente em excesso, provoca desequilíbrios ambientais. O resultado foi um produto capaz de reduzir a propagação das chamas sem provocar impactos negativos ao meio ambiente, diferentemente dos retardantes químicos convencionais.
O potencial da solução levou as estudantes a conquistarem o primeiro lugar na etapa brasileira do Hult Prize 2026, uma das maiores competições universitárias de empreendedorismo social do mundo. Agora, elas representam o Brasil na fase internacional, levando uma proposta que busca contribuir para o enfrentamento das mudanças climáticas.
Segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), o Brasil registrou 10.442 focos de incêndio entre janeiro e abril de 2026. No mesmo período, levantamento da World Weather Attribution (WWA) aponta que mais de 150 milhões de hectares de vegetação foram atingidos pelo fogo em diferentes países, evidenciando a necessidade de soluções sustentáveis para esse desafio global.
De acordo com Mariah Fraulo Cavalcante, o BIODEFENSER® cria uma barreira térmica capaz de diminuir a intensidade e o avanço das chamas, facilitando o controle dos incêndios. A estudante explica que a tecnologia foi desenvolvida em sintonia com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Organização das Nações Unidas (ONU).
Outro diferencial da inovação é sua ação prolongada. Após a aplicação, o produto permanece aderido ao solo e à vegetação, formando uma camada bioativa que ajuda a evitar novos focos de incêndio e ainda contribui para a recuperação do solo. Além disso, o composto dispensa o uso intensivo de água no combate às chamas e não oferece risco de contaminação ambiental.
O projeto começou a ser desenvolvido em 2024 durante o HIPUC (Health Innovation PUCPR), evento promovido pela Escola de Medicina e Ciências da Vida da universidade. A proposta venceu a competição e passou a integrar programas institucionais de pesquisa e empreendedorismo da instituição, recebendo orientação do professor Luiz Fernando Bianchini e incentivo para seguir seu desenvolvimento.
Para o docente, iniciativas como essa demonstram o papel da universidade na formação de pesquisadores capazes de transformar conhecimento científico em soluções com impacto positivo para a sociedade e para o meio ambiente.
A expectativa das estudantes é concluir as etapas de patenteamento e testes para disponibilizar o BIODEFENSER® no mercado no segundo semestre do próximo ano. O objetivo é que a tecnologia possa integrar políticas públicas e ações de prevenção e combate aos incêndios florestais, contribuindo para proteger ecossistemas e reduzir os danos causados pelo fogo.
A diretora de Pesquisa da PUCPR, Vanessa Santos Sotomaior, destaca que projetos dessa natureza demonstram como a pesquisa acadêmica pode gerar respostas concretas para desafios ambientais, aproximando ciência, inovação e responsabilidade socioambiental.




