Às conquistas no âmbito dos direitos humanos, ainda não atingiram as mulheres, alvo preferencial dos inúmeros casos de violência doméstica. As seqüelas perversas do tratamento discriminatório de gênero se refletem nas mais variadas formas de violação dos direitos humanos da mulher: estupros, espancamentos domésticos, cárceres privados, assassinatos, violência física e psicológica. Após tanta luta dos movimentos feministas, pergunta-se: o que falta para uma diminuição da desigualdade de gênero e da violência contra a mulher? A mídia, que tanto contribui para a visibilidade dessa violência, não discute com a sociedade esse fenômeno com o sendo de ordem cultural, que deve ser dissociado do contexto geral da violência urbana, pois tem nome, sexo e causa. São os conflitos de gênero, que ocorrem entre homens e mulheres, onde ele é o agressor e ela a vitima preferencial. É uma violência aprendida na infância e continuada na idade adulta. Tem a ver com os papéis sociais ensinados pela família, escola e igreja, portanto, tem a ver com a Educação.

As conquistas das mulheres, promulgadas em leis, não conseguem se sobrepor à discriminação e ao preconceito contra o sexo feminino, arraigados na mente masculina. Os homens aprenderam em criança que macho não ganha flor e não leva desaforo para casa. Acreditam que a infidelidade faz parte da sua formação e que amar significa posse, poder de mando e decisão.  A eles é negado o mundo da delicadeza, do cuidado com o lar e os filhos. Muito cedo adotaram a lei do “bateu levou” e se tornaram campeões da violência urbana e do lar.

Educar para a igualdade de gênero seria a fórmula ideal para prevenir e diminuir a violência contra a mulher. As relações sociais de gênero devem fazer parte do currículo escolar e serem discutidos em todos os espaços onde se educa meninos e meninas.

Nilze Costa e Silva
é escritora e conselheira do Conselho Cearense dos Direitos da Mulher.

nilzecosta@terra.com.br

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