
Ação realizada em Fortaleza, Maranguape e Paracuru marcou os 33 anos da Chacina da Candelária e chamou atenção para a necessidade de garantir proteção, moradia, educação e dignidade
A luta pelos direitos de crianças e adolescentes em situação de rua ganhou força no Ceará na última quinta-feira (23). Cerca de 700 pessoas participaram da 19ª Ação Nacional “Criança Não é de Rua”, realizada simultaneamente em Fortaleza, Maranguape e Paracuru. A mobilização buscou sensibilizar a sociedade sobre a realidade enfrentada por milhares de jovens brasileiros e cobrar políticas públicas capazes de assegurar proteção, acolhimento e oportunidades.
A data escolhida para o ato marca os 33 anos da Chacina da Candelária, episódio que chocou o Brasil em 1993, quando crianças e adolescentes em situação de rua foram assassinados no Rio de Janeiro. Desde então, o dia tornou-se um símbolo da defesa dos direitos da infância e da adolescência e da luta pela garantia da vida e da dignidade.
No Ceará, a iniciativa foi coordenada pela Associação Beneficente O Pequeno Nazareno, por meio do projeto Dignidade para a Infância, desenvolvido em parceria com a Petrobras, através do Programa Petrobras Socioambiental. Ao longo da programação, crianças, adolescentes, famílias, educadores e representantes de organizações sociais participaram de atividades voltadas para conscientização e defesa dos direitos humanos.

Além de lembrar a importância da proteção da infância, a edição deste ano trouxe para o centro do debate a realidade de famílias que vivem em ocupações habitacionais precárias. A mobilização destacou a necessidade de ampliar o acesso à moradia digna, saúde, educação, cultura, esporte e lazer, além de defender políticas que promovam inclusão social.
“O que queremos é garantir cultura, esporte, lazer e dignidade para essa juventude. Essa mobilização também busca combater o preconceito e sensibilizar governantes e toda a sociedade para essa realidade”, destaca Manoel Torquato, coordenador-geral da Associação Beneficente O Pequeno Nazareno.
Fortaleza concentra a maior parte dos casos
Os dados mostram que o desafio permanece urgente. Segundo o Observatório Brasileiro de Políticas Públicas para a População em Situação de Rua, o Brasil possui quase 10 mil crianças e adolescentes vivendo nas ruas.
No Ceará, são 270 crianças e adolescentes nessa condição. Desse total, 127 têm até seis anos de idade. Fortaleza concentra 245 registros, o equivalente a 91% dos casos do estado, o que evidencia a necessidade de fortalecer ações de proteção social e atendimento às famílias em situação de vulnerabilidade.

Transformando vidas há mais de três décadas
Fundada em 1993, a Associação Beneficente O Pequeno Nazareno atua no atendimento de crianças e adolescentes em situação de rua, além de apoiar suas famílias e comunidades em municípios do Norte e Nordeste. A instituição desenvolve projetos voltados para inclusão social, defesa de direitos e construção de oportunidades, contribuindo para que centenas de jovens tenham acesso a uma vida com dignidade, proteção e perspectivas para o futuro.








