Sete anos após incêndio, instituição retoma atividades com entrada gratuita até agosto e aposta em acervo renovado e ações educativas

O Museu Nacional, um dos maiores símbolos da ciência e da cultura brasileira, voltou a receber o público nesta quarta-feira (2), após sete anos fechado devido ao incêndio que devastou parte de sua estrutura e acervo em 2018. Localizado na Quinta da Boa Vista, no Rio de Janeiro, o espaço reabre com exposições inéditas, peças restauradas e um projeto de reconstrução que se estenderá até 2027.

A reabertura marca um importante capítulo na história da instituição, fundada em 1818 e considerada uma das mais antigas da América do Sul. A retomada das atividades foi possível graças ao projeto Museu Nacional Vive, uma iniciativa da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), em parceria com a Unesco e o Instituto Cultural Vale. O investimento total da obra é de R$ 517 milhões, provenientes de empresas públicas e privadas.

Logo na entrada, os visitantes são recebidos pelo icônico meteorito Bendegó, que resistiu ao incêndio e se tornou símbolo da resiliência do museu. A peça agora ganha nova interpretação com obras do artista indígena Gustavo Caboco, que, em parceria com sua família, propõe um diálogo entre ciência, memória e ancestralidade.

Outro destaque é o impressionante esqueleto de uma baleia cachalote, com 15,7 metros, suspenso sob a nova claraboia do palácio. Restaurado e remontado ao longo de dois meses, o esqueleto está sendo apresentado ao público com uma campanha interativa que convida os visitantes a sugerirem um nome para o exemplar.

A exposição inaugural ocupa três salas temáticas, abordando a natureza, o patrimônio e a arte, com entrada gratuita até 31 de agosto. Os ingressos estão disponíveis na plataforma Sympla.

O novo acervo é fruto do projeto Recompõe, lançado em 2021 para revitalizar as coleções perdidas no incêndio. Mais de 14 mil itens já foram incorporados ao acervo, por meio de doações de instituições nacionais e internacionais, além de contribuições de famílias e artistas. Entre as novas aquisições estão peças africanas doadas pelo embaixador Alexandre Addor, cerâmicas pré-colombianas, uma coleção de conchas do cantor Nando Reis e até um tigre taxidermizado.

A terceira sala expositiva é dedicada à própria história do museu e à reconstrução do edifício histórico, com esculturas em mármore de Carrara, elementos arquitetônicos restaurados e registros fotográficos do processo de recuperação do antigo Palácio de São Cristóvão, que foi residência da família real portuguesa e sede do Império do Brasil.

Segundo a diretora do Museu Nacional, a reabertura representa “um passo firme rumo à reconstrução não apenas física, mas simbólica e afetiva de um patrimônio que pertence a todos os brasileiros”.

Com a força da colaboração e da solidariedade, o Museu Nacional mostra que é possível transformar perdas em oportunidades de renascimento — e reforça seu papel como espaço de memória, ciência, diversidade e esperança.