Os jornalistas produzem um produto que satisfaz o desejo dos cidadão. Um produto diferenciado, com regras definidas como a perseguição da exatidão, da ética e do interesse público. Hoje ele utiliza tanto as plataformas tradicionais como as novas mídias nascidas no bojo da internet. Esta proporciona um foco apurado no público alvo, compartilhamento de informações, colaboração para a construção da notícia, integração entre as partes e a utilização em tempo real. Os jornalistas não podem esquecer que a prioridade é o público, o mesmo que consulta 180 vezes por dia seu smartphone. Ora para se informar, ora para ajudar a construir notícia. Diante dessa realidade de múltiplas plataformas e miríades de espaços informativos, a transparência entre o receptor e o emissor é um elemento essencial. É o primeiro passo para a construção da credibilidade, o diferencial competitivo entre um espaço informativo e outro. O  êxito nesse novo ecossistema depende também de identificar as preferências do público, sem o que não há audiência. A estratégia consiste em conhecer, encantar e surpreender o público.

 

Ainda que o jornalismo seja um produto indispensável para a cidadania e a democracia, o emissor tem que saber qual o seu papel na produção de notícias, o que pode fazer para atender os anseios do público e quem ele é. Para se chegar a isso é preciso inovar, abrir espaços até hoje pouco utilizados. Um deles é abrir para que o público possa discutir os critérios de jornalismo que uma empresa ou um emissor utiliza. A redação precisa estar aberta não só para receber a interatividade proporcionada pelas mídias sociais, mas a presença física de representantes do público. Pode até haver alguma reação de jornalistas em discutir com leigos os critérios de produção de notícia, mas é saudável e democrático. Em outras palavras é dar ao público alvo não só o direito de voz , mas o de intervenção no processo.

 

A tendência atual é que a audiência não espera mais a informação, ela procura nos inúmeros espaços na internet. Quando chega em casa à noite, o cidadão  já sabe da maioria das notícias e espera encontrar algo mais do que a repetição de tudo o que já viu, ouviu  e leu . Vai atrás da análise, da explicação mais profunda, do comentário, da opinião sobre os assuntos divulgados durante  todo o dia. Muitas dessas estratégias derivam do marketing, ainda que ainda haja por parte de alguns jornalistas uma certa resistência a ele. Afinal o marketing é uma atividade humana dirigida para satisfazer as necessidades e desejos através dos processos de troca (Kotler). O jornalista troca o seu trabalho pelo salário e  audiência. Nas empresas jornalísticas as informações são trocadas por dinheiro. Portanto, ainda que tenham objetivos diferenciados, marketing e jornalismo andam na paralela em busca do mesmo objetivo: credibilidade com rentabilidade. São irmãos siameses, um não existe sem o outro.

* Heródoto Barbeiro é escritor e jornalista da RecordNews e R7.com – herodoto@r7.com

 
*Artigo publicado no blog do autor (noticias.r7.com/blogs/herodoto-barbeiro) e reproduzido com sua autorização


 

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here