Afinal o que faz o ser humano entrar em um estado pleno de felicidade. Por duas décadas um PhD em psicologia , de nacionalidade húngara chamado  Mihaly Csikszentimihalyi, pesquisou sobre os estados de “Optimal Experience” isto é experiência máxima do ser humano.

 

Mihaly que veio da aristocracia, era um príncipe e o seu interesse  era: Como as pessoas fazem para ter momentos de experiências máximas?. Como a  pessoa pode estar  em um estado onde ela consegue ficar totalmente focada no momento presente. O objetivo da pesquisa não é estudar como evitar experiência de stress, mas sim como aumentar a qualidade de cada experiência.


Descobriu que o que faz com que uma experiência se torne altamente agradável é o estado de flow – fluir que é um estado de concentração tão centrado que a pessoa fica totalmente envolvida na atividade.


De tal forma que o que está acontecendo entorno não interessa. É aquele conceito budista de ser “um” com o todo, de ser “um” com a experiência. Então Mihaly foi buscar os exemplos de quais momentos em que o ser humano  consegue ter estes estados de êxtase. Ele se perguntou se as pessoas só conseguem ter este êxtase somente em situações de meditação espiritual?


Percebeu que existem outros momentos em que o ser humano está totalmente envolvido com a experiência. São momentos em que está fazendo alguma coisa onde a sensação do mundo externo diminui e fica-se só envolvido naquilo que está fazendo, esquecendo o tempo, e até a vontade de comer. Este é o momento de flow no qual a pessoa está totalmente envolvido na experiência.


Pode-se entrar em flow pelo corpo, na prática de esportes, dança, ao tocar um instrumento.  Outros conseguem o estado de flow através dos pensamentos estimulados pela leitura, quebra-cabeças, diálogos profundos sobre idéias.  Existem pessoas entram em flow nos seus trabalhos quando estimulados por desafios a exemplo de um cirurgião em uma operação, um escritor, um músico ou artesão totalmente envolvidos em sua arte.


São momentos de experiência máxima onde sentimos que temos controle de nossas ações, somos donos de nosso destino, o que dá uma sensação profunda de prazer e satisfação. São momentos lembrados por muito tempo e se tornam um ponto de referência de como deveria ser a vida.


Mihaly percebeu que quanto mais as pessoas tem capacidade de ficar totalmente no presente  e naquilo que fazem, mais tem condições de ter qualidade de vida e maior é o grau de satisfação.


Brilhante no trabalho é questionar o modelo mental de quem acha que ter  qualidade de vida é ter dinheiro, bens materiais, prazeres físicos, energia e lazer constante.


Se o conceito popular é que “para ter qualidade de vida tem algumas condições para serem atendidas” , então como se explica pessoas sem condições de  dinheiro e conforto, possuem satisfação de viver e se sentem preenchidas enquanto outras com todas as condições externas perdem o sentido da vida?


Estes eventos ou estados de flow ocorrem não apenas quando as condições externas são favoráveis mas no nascimento de um filho e até em condições adversas quando seres humanos conseguem momento de paz no meio de uma situação de risco de vida.


Este é um estudo de como é possível ter qualidade de vida independente de ter condições. Uma das coisas que gera estado de Flow, isto é a sensação de ter uma vida mais plena e satisfatória vem dos momentos onde se está totalmente envolvido com a experiência. Isto não tem a ver com as condições e sim com a capacidade que cada um tem de estar envolvido totalmente com o que está fazendo.


Existe uma ilusão social que os melhores momentos são aqueles nos quais estamos relaxados e passivos. Porém Mihaly notou é que estes momentos onde se tem realmente qualidade  de vida, onde a vida tem mais valor são momentos em que se consegue superar alguma adversidade, momentos de  auto-superação, de êxtase artístico e de meditação.


Assim desfez-se a ilusão de achar que é preciso ter mais momentos de descanso; de que se tivermos mais momentos de descanso a vida vai ser melhor.  Mihay questiona este modelo mental para não perpetuar a ilusão social e descobriu que o ser humanos consegue se sentir experiências máximas quando superam um desafio indo além dos limites.

 

Se nos perguntarmos agora, quais os  momentos de nossa vida que foram mais memoráveis e inesquecíveis, invariavelmente vamos  lembrar de momentos de uma negociação difícil, aprovação em um concurso, ou momento de conquista, superação de um desafio ou de limites, escalada de uma montanha e outros acontecimentos.


Estes sim são momentos memoráveis – momentos de bons combates! Situações em que o corpo ou mente estavam completamente empenhados num esforço voluntário para realizar algo que vale a pena. Uma experiência máxima é algo que fazemos acontecer. Quando acontecem estes momentos, nem sempre são agradáveis, como o atleta que sente os músculos esgotados durante uma prova, mas não vê a hora de participar dela de novo. Estes momentos são memoráveis porque trazem uma sensação de domínio, de controle sobre a vida.


O ser humano foi, de uma certa forma, desenhado  para crescer dentro da  abundância assim como a natureza que está sempre se expandindo, nós também temos uma necessidade interna de continuar nesse crescimento. É importante e necessária esta sensação de que se superou alguma coisa, de conquistar um desafio, que venceu alguma coisa.


Geralmente os momentos memoráveis são os desafiantes.  Desta forma   quanto mais desafio a pessoa tem, maior a probabilidade de gerar qualidade de vida. Quanto menos desafios,  pior a  qualidade de vida. Descanso e conforto são excelentes para serem intercalados entre um desafio e outro, a exemplo dos heróis das histórias gregas que se recuperam entre uma batalha e outra.


De certo não se ouvirá alguém dizer que “teve um momento de descanso memorável, quando ao chegar em casa viveu algo extremamente inesquecível sentado no sofá, teve um momento magnífico assistindo uma novela.”


Umas férias pacatas não têm nada de novo. Fica-se sem energia. Fazer comprar no shopping é um prazer muito passageiro. O que motiva realmente é o desafio, é quando somos testados e sentimos o crescimento interno.


Então se é isso que dá o senso de importância na vida, uma vida de qualidade é uma vida que se tem muitos momentos de superação, de energia. A partir desta nova maneira de pensar deve-se rever os modelos que não ajudam e até que atrapalham a ter felicidade e qualidade de vida.


Existe uma frase de J.H.Holmes que diz que o “universo não é hostil nem amistoso. Ele é simplesmente indiferente.”   Caso compremos uma mansão na Flórida, o universo é indiferente e os furações vão continuar acontecendo.


Já que o universo é indiferente aos meus desejos e o universo está na própria trajetória, a qualidade de vida não é controlar o universo mas tem a ver em fazer o melhor com o que o universo apresenta. Receber um limão e fazer uma limonada é procurar fazer o melhor com o que se tem. A adversidade não é para criar desânimo e sim possibilidades.


O estado de flow não é um estado que nasce em condições perfeitas mas sim quando se cria dentro das condições que se tem o melhor que se pode, então se chover, toma-se um banho de chuva.


O universo não conspira ao seu favor e nem contra, de tal forma que satisfação e alegria está no poder de cada um criar e não esperar por condições favoráveis. O ideal não é brigar com as condições externas e sim brincar…se fez sol, brinca-se de esconde-esconde, se chover,  toma-se um gostoso banho de chuva!

* Magui Guimarães é master em Coach & Neurolinguística e coordenadora da 5ª Conferência Internacional sobre Felicidade Interna Bruta – magui@maguiguimaraes.com.br

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