Crianças deficientes e o ponto de vista de Deus

Apreciar as capacidades daqueles que são deficientes, ouvir as suas opiniões e reconhecer o seu potencial só enriquece o convívio de todos.

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Dia 21 de setembro, é o Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência. Nesta ocasião, pergunto “Qual é a melhor atitude com as crianças deficientes?”. Há certas palavras que geralmente usamos e que precisam ser questionadas, como por exemplo, a palavra “deficiente”. A Organização Mundial da Saúde está recomendando “pessoas com limitação de atividade” ao invés de “pessoas com deficiência física”.

Será que a mudança de termos pode produzir mudança de atitude? Seria bom se assim fosse. Neste espaço, para melhor compreensão, usaremos o termo “deficiência”. As deficiências são variadas (auditivas, físicas, mentais, emocionais, visuais, múltiplas); e podem ter as mais diferentes causas: nascimento, doenças, acidentes, negligência, abusos, pobreza e guerra.

A questão mais importante a ser discutida refere-se à nossa atitude em relação às pessoas com deficiências. Como será possível mudar a maneira de pensar e de reagir cada vez que nos deparamos com um deficiente? Como ter a atitude correta no sentido de ver o deficiente como alguém que possa participar efetivamente do dia a dia das nossas atividades?

O fato é que mesmo pessoas com deficiência, que aceitam e entendem a sua própria situação, têm muita dificuldade em lidar com as atitudes daqueles que os cercam. Quando examinamos a maravilhosa atitude de Jesus para com os deficientes, ficamos impressionados. Jesus sempre achou tempo para aceitar, para conversar e para ajudar a todos que se aproximavam com as mais variadas deficiências: cegos, surdos, leprosos, paralíticos, epilépticos. Se repararmos bem, uma grande parte do seu ministério foi voltada especialmente para os que seriam considerados deficientes.

Seguindo o exemplo dele, devemos trabalhar pela igualdade entre todas as pessoas, inclusive no que se refere aos cuidados com a saúde (por exemplo, vacinas, nutrição) e às necessidades educacionais, que teoricamente são as mesmas para todas as pessoas, mas as evidências sugerem que há desigualdade:
As crianças com deficiência têm uma maior probabilidade de morrerem jovens por serem pobres ou negligenciadas.
As crianças com deficiência têm maior probabilidade de serem malnutridas.
Em alguns países, 80% das crianças com deficiências podem morrer com menos de cinco anos.
Menos de 2% das crianças com deficiências sérias recebem educação nos países em desenvolvimento.
As mulheres com deficiência têm 2 a 3 vezes mais probabilidade de serem vítimas de abuso físico ou sexual.
A deficiência está vinculada à pobreza, razão pela qual é necessário ter planos e estratégias para ajudar estas pessoas especiais.
A meta de quem trabalha com deficientes deve ser trabalhar com as suas capacidades e não com as suas deficiências.

Agora, vamos a questões que exigem respostas:
– Quais tipos de preconceitos contra as pessoas deficientes existem na sua comunidade?
– Qual deveria ser a atitude cristã em relação às pessoas com deficiência?
– O que você pode fazer para desafiar o preconceito contra a deficiência que existe na sociedade em que vive: pessoalmente, como igreja, como organização?
– O que você pode fazer para ajudar a incluir as pessoas com deficiências na sua comunidade: pessoalmente, como igreja, como organização?
– O que leva muitas pessoas a pensar que as crianças com deficiências não podem progredir? É esta a atitude correta? Se não, por quê?

Por fim, quero refletir sobre algumas mudanças de atitude. As pessoas com deficiências sentem-se, muitas vezes, excluídas da sociedade. Podemos dizer que para elas as portas estão fechadas. Uma porta fechada significa a adoção de atitudes negativas em relação aos deficientes. Não há o mínimo desejo de lhes ensinar qualquer habilidade ou de dar-lhes oportunidades para que venham a melhorar a sua qualidade de vida. Onde estão as crianças deficientes? Na maioria das vezes estão escondidas atrás de portas fechadas, como falta de apoio, vergonha e discriminação.

Entretanto, à medida que estas atitudes negativas começam a mudar, a porta começa a abrir-se. Todos nós podemos ajudar a tornar mais positivas as atitudes em relação à deficiência.

Vamos abrir portas para que estas crianças sejam atendidas por organizações que tenham recursos para estimulá-las física e mentalmente; para que tenham acesso a todo e qualquer tipo de treinamento, não só escolar, mas também profissional, artesanal, musical etc; para que as crianças deficientes participem de atividades com crianças normais, através de esportes, brincadeiras, dramatizações etc; para que elas produzam objetos de madeira, artesanatos, cartões, marcadores de livros, quadros, presentes, e tantos outros objetos, que possam trazer algum recurso para ajudar suas famílias, ou mesmo para que consigam se empregar.

Apreciar as capacidades daqueles que são deficientes, ouvir as suas opiniões e reconhecer o seu potencial só enriquece o convívio de todos. Não podemos ignorar, nem negligenciar a presença dos deficientes em nosso meio.

Em Jesus Cristo, através do novo nascimento, todas as pessoas podem conhecer o seu verdadeiro valor, como filhos e filhas do Deus Vivo e Eterno. Todos também incluem aqueles que são deficientes.

Por Gilberto Celeti
Superintendente Nacional da Aliança Pró Evangelização das Crianças – APEC
E-mail: gilceleti@gmail.com

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