
Cerimônia no Hospital Infantil Luís França celebrou a conclusão de uma etapa desafiadora e a esperança de retomar os sonhos da infância
O som de um sino marcou um momento aguardado por 20 crianças e adolescentes que enfrentaram o câncer e suas famílias. No Hospital Infantil Luís França, em Fortaleza, a celebração do Ciclo da Superação reuniu pacientes, familiares e profissionais de saúde para a entrega do Certificado de Superação em Oncologia Pediátrica, simbolizando a conclusão de uma importante fase do tratamento.
A cerimônia foi marcada por abraços, lágrimas e sorrisos. Cada certificado representou uma trajetória de consultas, internações, cirurgias, quimioterapia e radioterapia, além da dedicação de familiares e equipes de saúde durante o período de tratamento.
Entre os pacientes homenageados estavam Ana Lívia Maciel, de 6 anos, e Davi Rufino, de 14. Embora tenham enfrentado diagnósticos diferentes, os dois compartilham a experiência de superar uma fase difícil e a expectativa de retomar a rotina com novas perspectivas.
A iniciativa também reconhece o papel das famílias, que acompanham de perto cada etapa do tratamento. Para Luccas Augusto Adib, CEO da Hapvida, a entrega dos certificados representa a coragem das crianças e o apoio de quem esteve ao lado delas durante a jornada.
“Nenhuma criança deveria precisar ser forte tão cedo. A infância deveria ser feita de brincadeiras, descobertas e sonhos, mas essas crianças e suas famílias precisaram enfrentar desafios que ninguém deveria viver. Cada certificado carrega a coragem de quem não desistiu, o amor de quem esteve ao lado e a esperança de voltar a fazer planos”, afirma.
Idealizadora do programa e gerente nacional de Experiência do Paciente da Hapvida, Milena Lima destaca a importância de celebrar a conclusão do tratamento durante uma fase da vida marcada por descobertas e brincadeiras.
“O câncer na infância, uma fase tão lúdica, afeta o bem-estar dessa criança que, muitas vezes, precisa trocar a brincadeira pelo tratamento. Por isso, festejar a cura é tão significativo para todos nós”, ressalta.
Histórias de coragem e acolhimento
A trajetória de Ana Lívia começou aos 5 anos, quando sua mãe, Gilcirlene Maciel Almeida, de 38 anos, percebeu que a barriga da filha permanecia inchada. A suspeita levou a família a procurar atendimento médico e realizar exames, que identificaram um nefroblastoma com dois tumores.

O diagnóstico deu início a um ano e seis meses de tratamento, período marcado por cirurgias, quimioterapia, radioterapia e internações, inclusive em unidade de terapia intensiva (UTI). Considerada paciente de alto risco, a menina contou com o acompanhamento da mãe e de uma equipe de profissionais que se tornou parte importante dessa história.
“Cada etapa nesse processo de um ano e seis meses foi um sim de Deus. É um diagnóstico difícil, com um tratamento que não é fácil para o paciente e para a carga emocional do acompanhante. Mas nós vencemos e hoje sou grata a Deus por cuidar de mim e da minha filha”, conta Gilcirlene.
Durante a jornada, a mãe também encontrou apoio em gestos de acolhimento, especialmente nos momentos de maior tensão. Ela destaca o cuidado da equipe e o acompanhamento da médica Bruna Cunha de Alcântara, que esteve ao lado da menina durante o tratamento.
Agora, o certificado recebido por Ana Lívia simboliza o caminho percorrido desde a admissão no hospital até o dia em que tocou o sino que representa a conclusão dessa etapa.
Aos 14 anos, Davi Rufino também tem uma história de superação. Ele recebeu o diagnóstico de linfoma de Hodgkin depois que a mãe percebeu um pequeno nódulo na perna que persistia havia alguns dias. Até então, o adolescente não apresentava sintomas.

Durante a cerimônia, Davi compartilhou sua experiência e destacou a importância da atenção aos sinais do corpo, do apoio familiar e do trabalho dos profissionais de saúde.
“É importante ficar sempre atento. Quando descobrimos, a doença estava na fase inicial, e isso ajudou muito no meu tratamento. Agradeço a Deus pelo livramento e aos meus pais pelo apoio em cada momento. Também sou muito grato a toda a equipe do Hospital Luís França por ter cuidado tão bem de mim”, relata.
O adolescente também deixou uma mensagem de esperança e solidariedade para quem ainda enfrenta a doença. “Para quem ainda está enfrentando essa batalha, peço que tenha fé e faço um apelo por mais solidariedade, mais amor e mais doações de sangue para tantas pessoas que precisam. Olhem para quem está no hospital, porque todos ali necessitam dessa força.”
Cuidado que considera o bem-estar emocional

A atenção às necessidades emocionais das crianças e de seus familiares faz parte da assistência durante o tratamento oncológico. Para o psicólogo da Hapvida Benevides Silva, a cerimônia tem um significado importante para quem atravessou esse período.
“É um reconhecimento de toda a caminhada. Celebrar essa conquista ajuda a criança e a família a ressignificarem uma etapa tão desafiadora”, explica.
Outra iniciativa que contribui para tornar o ambiente hospitalar mais acolhedor é a pet terapia. O trabalho voluntário de Luciana Atayde leva cães ao hospital para proporcionar momentos de interação, diversão e leveza às crianças durante a rotina de cuidados.

“O Luís França foi o primeiro hospital a acreditar nesse trabalho em Fortaleza. Ver como os cães levam alegria e ajudam a tornar o ambiente mais leve para as crianças é muito gratificante. Hoje, a pet terapia já chega a outros espaços da cidade, e é sempre emocionante acompanhar o alcance dessa iniciativa”, afirma Luciana.
A conclusão do tratamento não encerra necessariamente o acompanhamento médico. Cada paciente continua sendo monitorado conforme suas necessidades clínicas. Ainda assim, a celebração representa uma etapa importante para as famílias, que passam a olhar para o futuro com a possibilidade de reorganizar a rotina e retomar planos.
Estrutura especializada no cuidado pediátrico
As histórias celebradas no Ciclo da Superação fazem parte da atuação do Hospital Infantil Luís França, unidade dedicada à assistência pediátrica e que conta com estrutura especializada para o atendimento de crianças em diferentes fases do tratamento oncológico.
O hospital dispõe de 249 médicos e 218 profissionais de enfermagem. O pronto-socorro pediátrico reúne 38 pontos de atendimento, incluindo sala de observação, acolhimento e espaços destinados a cuidados intensivos. Segundo os dados da unidade, o tempo médio entre a chegada do paciente e a avaliação médica é de 20 minutos.
A estrutura inclui UTI pediátrica, tomografia computadorizada, posto de coleta e centro cirúrgico, que realizou 1.523 cirurgias no último trimestre completo informado. A unidade também é referência em cirurgia cardíaca pediátrica para pacientes das regiões Norte e Nordeste.
Para a diretora clínica do hospital, Joana Maciel, a assistência às crianças precisa reunir conhecimento técnico e atenção às necessidades emocionais dos pacientes e de suas famílias.
“Cuidar de uma criança exige técnica, mas também acolhimento. Cada etapa vencida é uma conquista compartilhada pela família e por toda a equipe”, afirma.
O Hospital Infantil Luís França também foi o primeiro hospital pediátrico do Brasil a receber três estrelas no Global Hospital Rating, avaliação realizada pela Statista em parceria com a Newsweek, que considera critérios relacionados à qualidade, à segurança, à tecnologia e à estrutura hospitalar.
Ao final da cerimônia, os certificados entregues às 20 crianças e adolescentes representaram o reconhecimento de trajetórias marcadas por desafios, dedicação e esperança. Para os pacientes e suas famílias, o toque do sino simbolizou a conclusão de uma fase difícil e a oportunidade de voltar a dedicar mais tempo às brincadeiras, aos estudos, aos encontros familiares e aos sonhos próprios da infância e da adolescência.










