
Quem faz opção por uma alimentação mais natural, sabe como os produtos orgânicos, livres de agrotóxicos, são mais caros. Para ajudar a aumentar a produção de orgânicos e, ao mesmo tempo, incentivar a agricultura familiar, o Ministério do Desenvolvimento Agrário anuncia para a próxima semana, o lançamento de um edital para apoiar projetos voltados para pequenos produtores que desejem passar da produção convencional para a orgânica.
Vão poder participar dos editais entidades sem fins lucrativos, cadastradas no Sistema Brasileiro de Assistência Técnica e Extensão Rural (Sibrater). Segundo o coordenador geral de Planejamento e Implementação de Projetos de Agroindústria do MDA, José Batista, cerca de cinco mil famílias serão beneficiadas. Os agricultores serão preparados para produzir orgânicos, tendo acesso a linhas de crédito do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf).
O crédito do Pronaf para investimento tem juros de 1% ao ano e, para custeio, taxa de 2% ao ano. É possível que na divulgação do próximo plano safra, previsto para lançamento no meio do ano, seja anunciada redução dos juros.
De acordo com dados do MDA, a produção orgânica está distribuída de forma equilibrada no Brasil. A região Nordeste apresenta maior número de estabelecimentos que trabalham com orgânicos, seguida do Sul e Sudeste.
O MDA informa que este mês seis projetos vencedores do edital lançado no ano passado vão atender 2,5 mil famílias de produtores rurais no processo de transição para se consolidarem como produtores orgânicos.
Agroecologia
No Ceará, uma das experiências de destaque na área é o Projeto Agricultura Familiar, Agroecologia e Mercado (AFAM) da Fundação Konrad Adenauer. A iniciativa é co-financiada pela União Européia, tendo como parceiro local o Núcleo de Iniciativas Comunitárias – NIC.
A Coordenadora do, Ângela Küster, diz que em 2008 o Projeto participou de edital do MDA, sendo o único do Nordeste aprovado mas, devido a burocracia, até agora o financiamento não chegou.
Enquanto isso, o AFAM, com recursos próprios e de outros parceiros como Embrapa e União Européia, realiza outras ações. Já proporcionou cursos de transição agroecológica da propriedade familiar para jovens dos municípios de Barreira, Ocara, Redenção, Baturité, Itapiúna, Capistrano, Aratuba, Guaramiranga, Palmácia e Canindé. Tem também ações na área de produção de orgânicos em Barreira (cajucultura) e Maciço de Baturité (hortaliças).
* Com informações da Agência Brasil/O Povo